Solidariedade permanente é essencial para enfrentar a vulnerabilidade social no Nordeste
O enfrentamento da vulnerabilidade social no Nordeste exige ações permanentes, integradas e articuladas com o poder público — e não apenas iniciativas pontuais concentradas em períodos específicos do ano. É o que defende o Instituto de Saúde e Educação do Nordeste (ISEN), organização do terceiro setor com atuação em municípios da Bahia e de outros estados nordestinos.
Fundado em 2005, com sede em Salvador, o ISEN desenvolve projetos nas áreas de saúde, educação e assistência social, em parceria com prefeituras e secretarias municipais, com foco em populações em situação de vulnerabilidade. A proposta é fortalecer vínculos comunitários, ampliar o acesso a direitos básicos e contribuir para a efetividade das políticas públicas nos territórios onde atua.
“Em muitos municípios nordestinos, a combinação entre falta de renda, insegurança alimentar, violência e precarização dos serviços públicos produz impactos diretos na saúde física e emocional das famílias, especialmente de crianças e adolescentes. A solidariedade precisa ser entendida como política de cuidado contínuo, não como gesto pontual”, afirma o presidente do ISEN, Jubrã Ferreira.
Entre as principais iniciativas do instituto está o Programa Educaê – Juntos por uma Nova Educação, desenvolvido na rede municipal de Coração de Maria, no interior da Bahia. A ação integra formação continuada de professores, promoção da saúde emocional e fortalecimento do desenvolvimento social no ambiente escolar, apoiando gestores e educadores na identificação de sinais de adoecimento emocional entre estudantes e suas famílias.
Atualmente, o programa abrange 29 escolas da rede municipal, atendendo cerca de 5 mil alunos, incluindo estudantes do Núcleo de Necessidades Educacionais Especiais, além de beneficiar aproximadamente 250 professores e coordenadores com ações formativas ao longo do ano. Uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais de áreas como pedagogia, psicologia, saúde, direito e assistência social, atua no planejamento e acompanhamento das atividades.
Para o ISEN, experiências como a de Coração de Maria demonstram que a integração entre saúde, educação e assistência social é decisiva para reduzir fragilidades comunitárias e ampliar o acesso a serviços essenciais. “Quando a escola se torna também um espaço de acolhimento e proteção, os resultados vão além da aprendizagem. Há impacto direto no bem-estar, na permanência escolar e na qualidade de vida das famílias”, pontua Ferreira.
Neste início de ano, o instituto reforça que o enfrentamento à desigualdade social passa pela construção de redes locais de apoio e pela atuação contínua nos territórios. “Ações coletivas e intersetoriais têm potencial real de transformar realidades. É esse compromisso que o ISEN mantém com as comunidades onde atua”, conclui o presidente.