ISEN amplia ações de convivência escolar e protagonismo juvenil em Coração de Maria

O Instituto de Saúde e Educação do Nordeste (ISEN) promove, entre os dias 21 e 26 de agosto, uma série de atividades voltadas à convivência escolar, prevenção de conflitos, participação juvenil e desenvolvimento socioemocional em escolas municipais de Coração de Maria. As ações integram o programa Educaê – Juntos por uma Nova Educação e envolvem professores e estudantes do Ensino Fundamental.

A programação começa nesta sexta-feira (21.08), na Escola Pedro Pereira Borges, com a atividade “Gerenciando Conflito”, destinada aos professores. O encontro será realizado das 13h30 às 14h20 e terá como facilitador o professor André Almeida. Para o presidente do ISEN, Jubrã Ferreira, investir na qualidade das relações dentro da escola faz parte do próprio processo educativo.

“A escola não é apenas um lugar de transmissão de conteúdo. É um espaço de convivência, de construção de vínculos e de formação para a vida em sociedade. Quando qualificamos professores para lidar com conflitos e, ao mesmo tempo, criamos espaços de expressão e escuta para os estudantes, estamos fortalecendo uma cultura de diálogo e prevenção. Muitos problemas podem ser enfrentados antes de se transformarem em situações mais graves de violência ou ruptura de vínculos”, afirma.

A formação dos educadores se articula a uma programação voltada diretamente aos estudantes. Na terça-feira (25.08), a Escola Pedro Correia recebe atividades da Jornada Ampliada com turmas dos 6º e 7º anos. A Trilha Musical – Juventude em Harmonia será conduzida pelo professor Rodrigo dos Santos Souza, enquanto a Trilha Juventude e Sociedade terá a mediação da psicóloga Clafylla Luiza Cruz de Oliveira. Os encontros acontecem nos turnos da manhã e da tarde, envolvendo diferentes turmas da unidade.
Também no dia 25, estudantes dos 8º e 9º anos da Escola Municipal Gardênia Maria participam da Trilha Vozes da Juventude em Rede, conduzida pela psicóloga Halley Victória de Almeida Lôbo Moreira. Serão quatro encontros distribuídos entre manhã e tarde.
A programação continua na quarta-feira (26.08), na Escola Pedro Correia, com a atividade “Teatralizando sem Palavras”, ministrada pela educadora social Natanny Santos Araújo. As oficinas serão realizadas com estudantes dos 6º e 7º anos, nos turnos matutino e vespertino.
 
Conflitos podem ensinarNa avaliação da psicóloga Clafylla Luiza Cruz de Oliveira, que conduz a Trilha Juventude e Sociedade, o objetivo não deve ser imaginar uma escola sem conflitos, mas desenvolver recursos para que crianças e adolescentes consigam lidar com diferenças e frustrações sem recorrer à violência.
“O conflito faz parte das relações humanas. A questão é o que fazemos com ele. Na escola, podemos ajudar o estudante a reconhecer emoções, expressar incômodos, ouvir o outro, estabelecer limites e encontrar outras formas de responder à frustração. Quando existe espaço para diálogo e escuta, o conflito pode deixar de ser apenas um momento de tensão e se transformar também em uma oportunidade de aprendizagem e amadurecimento”, explica Clafylla.

Esse trabalho ganha relevância diante dos dados recentes sobre violência entre adolescentes. A PeNSE 2024, divulgada pelo IBGE em 2026, mostrou que 27,2% dos estudantes brasileiros declararam ter sofrido bullying, ante 23% em 2019. Entre as meninas, o percentual chegou a 30,1%. No ambiente digital, 12,7% dos adolescentes disseram ter sofrido cyberbullying.

Outro dado chama atenção para a estrutura de acolhimento disponível: apenas 47,7% dos estudantes estavam matriculados em escolas que ofereciam algum tipo de suporte psicológico para alunos, professores e funcionários em situações de bullying e violência. Na rede pública, o percentual era de 45,8%, abaixo dos 58,2% registrados na rede privada.

Escola como espaço de proteção
O enfrentamento desse cenário envolve tanto o trabalho com os estudantes quanto a preparação de quem está diariamente em contato com eles. A Lei Federal nº 14.811/2024 determinou que municípios, estados e União adotem medidas de prevenção e enfrentamento à violência nos estabelecimentos educacionais e estabeleceu que os protocolos de proteção devem incluir capacitação continuada do corpo docente, além da participação da comunidade escolar.
Na mesma direção, o Programa Escola que Protege, do Ministério da Educação, busca fortalecer a capacidade das redes de ensino para prevenir e enfrentar diferentes formas de violência nas escolas e estimular ambientes de convivência seguros e acolhedores.

Ao combinar formação de professores com atividades de música, psicologia, participação social e expressão artística para os estudantes, a programação do Educaê trabalha a prevenção de forma integrada. A proposta é contribuir para que conflitos possam ser identificados e mediados antes de se transformarem em episódios de violência, ao mesmo tempo em que os estudantes encontram espaços para desenvolver comunicação, vínculos, participação e capacidade de expressão.
Núbia Cristina, 19.AGOSTO.2026 | Postado em Notícias
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