Semana de Ciência e Tecnologia incentiva meninas a ocupar espaços na ciência


Em um cenário marcado pela circulação acelerada de informações e pelo uso crescente de novas tecnologias, desenvolver a capacidade de questionar, investigar e avaliar evidências tornou-se também um desafio para a educação básica. O tema ganha visibilidade com a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), realizada entre 26 de outubro e 1º de novembro em todo o país.

Em 2026, a Semana tem como tema “Ciência Delas”, destacando a participação das mulheres na produção do conhecimento científico e tecnológico. Na Bahia, a programação será realizada em diferentes municípios. Salvador recebe atividades nos dias 27 e 28 de outubro, no Parque Tecnológico da Bahia.

Para o presidente do Instituto de Saúde e Educação do Nordeste (ISEN), Jubrã Ferreira, aproximar ciência e escola não significa apenas estimular estudantes a seguirem carreiras científicas. A educação científica também contribui para formar crianças e adolescentes mais preparados para compreender as informações que recebem diariamente.

“Ensinar ciência é também ensinar a perguntar, observar, comparar informações e buscar evidências antes de chegar a uma conclusão. Essas competências ultrapassam os conteúdos de uma disciplina e ajudam crianças e adolescentes a desenvolver uma postura mais crítica diante do mundo e da quantidade de informações que recebem todos os dias”, afirma.

A popularização da ciência ganha importância em um período no qual estudantes convivem desde cedo com redes sociais, mecanismos de busca, vídeos, conteúdos produzidos por influenciadores e ferramentas de inteligência artificial. Nesse ambiente, o acesso rápido à informação precisa estar acompanhado da capacidade de avaliar sua origem, identificar fontes confiáveis e diferenciar evidências de opiniões ou conteúdos falsos.

Para Jubrã, a escola ocupa uma posição estratégica nesse processo. “Hoje, encontrar uma resposta pode levar poucos segundos. O desafio da educação é ajudar o estudante a compreender se aquela resposta é confiável, de onde ela veio e quais argumentos ou evidências a sustentam. É nesse processo que o professor e a escola continuam sendo fundamentais”, destaca.

Meninas na ciência
Ao adotar o tema “Ciência Delas”, a Semana Nacional também chama atenção para a participação feminina na ciência, na tecnologia e na inovação. Para o presidente do ISEN, ampliar as referências apresentadas às crianças e adolescentes pode contribuir para que meninas reconheçam desde cedo esses campos como espaços que também lhes pertencem.

“Quando uma menina conhece a trajetória de uma pesquisadora, de uma engenheira ou de uma profissional da tecnologia, ela amplia aquilo que consegue imaginar para o próprio futuro. A escola pode contribuir para que meninas e meninos tenham contato com diferentes possibilidades e cresçam sem naturalizar a ideia de que determinadas áreas pertencem apenas a um gênero”, pontua.

A aproximação entre conhecimento científico e cotidiano escolar também depende da formação dos profissionais da educação. O uso de tecnologias, a identificação de desinformação e a criação de experiências que incentivem investigação e participação são questões que passaram a fazer parte dos desafios pedagógicos contemporâneos.
O Programa Educaê – Juntos por uma Nova Educação, desenvolvido pelo ISEN em parceria com o poder público, atua nesse ambiente ao articular formação continuada, desenvolvimento social e ações voltadas ao cotidiano das escolas municipais.

“Educação científica não precisa começar com equipamentos sofisticados. Ela começa quando estimulamos a curiosidade, permitimos que o estudante formule perguntas e mostramos que conhecer também é investigar. Fortalecer essa cultura dentro das escolas é uma maneira de formar cidadãos mais autônomos e preparados para tomar decisões”, conclui Jubrã Ferreira.
 
Núbia Cristina, 19.OUTUBRO.2026 | Postado em Notícias
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